Quando a verdade se torna mera opinião: a crise hermenêutica da pós-modernidade
Ao longo dos séculos, o método hermenêutico ortodoxo — baseado na intenção do autor e nas regras objetivas da linguagem — foi sendo substituído por interpretações relativistas e subjetivas. Este artigo analisa como o pós-modernismo e o relativismo moral transformaram a hermenêutica bíblica em mera opinião pessoal, diluindo a autoridade das Escrituras e convertendo a verdade em preferência. Um convite ao cristão fiel para defender a objetividade da Palavra de Deus em meio ao caos teológico contemporâneo.
TEOLOGIAAPOLOGÉTICAHERMENÊUTICAPÓS-MODERNISMO
11/19/20253 min read


Quando a Verdade se Torna Opinião: a Crise Hermenêutica da Pós-Modernidade
Como o relativismo filosófico e as teorias interpretativas modernas corromperam a objetividade da interpretação bíblica
Ao longo dos séculos, a hermenêutica, a ciência da interpretação, foi desenvolvida como uma disciplina que visa compreender o sentido original de um texto.
No campo teológico, ela sempre teve como fundamento a convicção de que as Escrituras Sagradas possuem um significado objetivo, determinado pela intenção do autor humano e divino, e que este sentido pode ser conhecido por meio de regras sólidas de linguagem e contexto.
Contudo, a partir do avanço das correntes filosóficas pós-modernas e da influência do relativismo moral e epistemológico, esse princípio começou a se deteriorar.
Hoje, o que antes era uma busca pela verdade do texto se tornou, para muitos, uma simples expressão de experiência pessoal — uma “interpretação entre tantas outras possíveis”.
Da objetividade à subjetividade: o colapso da hermenêutica contemporânea
Durante séculos, a tradição cristã manteve o entendimento que interpretar as Escrituras exigia rigor intelectual, respeito ao contexto histórico e fidelidade à intenção do autor.
Essa era a essência do método hermenêutico ortodoxo — um método científico, porque se fundamenta em princípios linguísticos e comunicacionais verificáveis:
As palavras têm significados estáveis dentro de um contexto cultural e histórico;
A comunicação exige emissor, mensagem e receptor, onde o foco está no que o autor quis dizer, e não no que o leitor gostaria que fosse dito;
O texto bíblico deve ser interpretado à luz do seu próprio cânon, evitando a imposição de ideias externas.
Esses princípios, que nortearam tanto a teologia quanto outras ciências da linguagem, foram gradualmente substituídos por abordagens subjetivistas, onde a experiência individual passou a ter mais peso que a verdade revelada.
O relativismo e a multiplicação das “verdades particulares”
Com a chegada do pós-modernismo, a noção de verdade absoluta foi substituída por uma multiplicidade de “verdades pessoais”.
O resultado disso, no campo teológico, foi devastador:
A ortodoxia, outrora o padrão de medida da verdade, passou a ser tratada como apenas mais uma opção interpretativa;
O critério da coerência lógica e textual foi abandonado em favor da vivência individual e emocional;
A Bíblia, em vez de ser a revelação objetiva de Deus, foi reduzida a um espelho de opiniões humanas.
Essa mudança não apenas diluiu a autoridade das Escrituras, mas também fragmentou a fé, gerando incontáveis correntes teológicas que se contradizem mutuamente, todas alegando “basear-se na Bíblia”.
A hermenêutica ortodoxa como método científico
Chamar a hermenêutica ortodoxa de método científico não é exagero — é precisão terminológica.
Ela segue princípios de observação, análise e inferência semelhantes a qualquer campo do saber que busca a verdade a partir de evidências e regras verificáveis.
A diferença é que, no caso da teologia, as evidências estão na revelação textual e as regras derivam da lógica da comunicação humana.
Interpretar a Bíblia de modo ortodoxo é aplicar o mesmo princípio usado para compreender qualquer autor: respeitar o que ele quis dizer dentro do seu tempo, cultura e contexto.
Ignorar esse método é o mesmo que permitir que a vontade do leitor suplante a voz do autor, o que, no caso das Escrituras, equivale a substituir a revelação divina pela imaginação humana.
A responsabilidade do cristão diante da verdade
Todo cristão que realmente ama as Escrituras e se submete à sua autoridade tem o dever de lutar pela verdade e resistir às distorções do relativismo teológico.
Defender a objetividade do texto sagrado não é intolerância — é fidelidade.
A Palavra de Deus não precisa de atualização cultural nem de reinterpretação para se adequar às tendências filosóficas do momento.
Ela é, por natureza, eterna, imutável e autoexplicativa, quando lida com reverência e método.
“Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade.” (João 17:17)
O cristão fiel não deve se envergonhar de sustentar a verdade absoluta das Escrituras em meio a uma geração que relativiza tudo — até mesmo Deus.
O compromisso com a verdade bíblica é o último bastião contra o colapso espiritual e moral da era pós-moderna.
Conclusão
A crise hermenêutica contemporânea não é apenas acadêmica — é espiritual.
Enquanto o mundo redefine o que é verdade, a Igreja é chamada a preservar o que Deus já revelou.
A interpretação ortodoxa das Escrituras não é uma entre muitas opções; é a única que reconhece a soberania de Deus sobre o sentido da Palavra.
Lutar por essa verdade é mais que um dever intelectual: é um ato de amor e lealdade ao Autor das Escrituras.
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